Alguns pensamentos sobre o novo projeto

Sempre que alguém ouve falar do Floresta, em algum momento surge a pergunta: “e então, vocês pretendem fazer outro projeto?” A resposta sempre foi “sim, claro”, mas agora há dois caminhos concretos que surgem como continuações do que o Floresta representa. É hora de falar um pouco sobre um deles.

Temos um documentário para fazer, com making of, que culminará em uma instalação artística no meio da rua, com video mapping e criação de uma paisagem sonora. Soa grandioso, e é. E o prazo também é curto: tudo tem que estar pronto ao final de abril. Os detalhes são motivo de um site próprio, que em breve estará no ar, mas alguns pensamentos cabem aqui.

Andei refletindo bastante entre dezembro e janeiro no porquê mesmo as pessoas mais interessadas em juntar sua arte (no caso, filmes) às ferramentas livres (no caso, os programas) raramente dão o passo para fazê-lo. Elas namoram, acham muito legal o modo como trabalhamos, mas na hora de editar seus próprios filmes, ou em planejar suas novas aventuras, a conexão não acontece.

Quando questionado por que queria escalar o Everest, nos anos 1920, Geroge Mallory deu a famosa resposta: “Because it’s there”. Em um certo sentido, todo o projeto do Floresta Vermelha era para dizer a mesma única coisa: “porque está lá”. Claro, o exemplo de um homem que morreu no gelo não deve cativar muitas pessoas, e é por este motivo que o blog está cheio de referências a Amundsen.

Como pessoa, lembrei-me recentemente que sou mais Mallory do que Amundsen, mas não quero me perder em digressões. Voltando ao lado “planejamento” das coisas, para o novo projeto vou estar na posição de montador. É onde eu gostaria de estar, ainda mais porque por esses dias finalmente consegui verbalizar o que sinto pelo Blender como editor de vídeo. Considerando tudo, o Blender, como programa de edição, é burocrático.

Como se sabe, fizemos o Floresta com o Cinelerra, usando o Blender na pós-produção. No momento da decisão, achei que seria arriscado trocar uma ferramenta à qual eu conheço de trás para frente por outra. Era a decisão certa. Mas tenho usado-o bastante, e dei algumas oficinas em cima dele. Agora que vou assumir a clássica posição de editor com prazo curto e definido (para o qual não existe postergação possível), decidi usá-lo como ferramenta principal.

Parece contraditório, mas o motivo é simples. O que normalmente seria uma limitação (como é o caso dos bugs no Cinelerra) é, na verdade, um potencial latente. Por ser integrado ao Python, o Blender abre muitas possibilidades de resolvermos nós mesmos ou, mais especificamente, adaptá-lo aos nossos usos. E vai ser esse o meu papel no projeto seguinte: deixá-lo ainda mais completo para os usuários, fazer com que seja uma vantagem para um editor de vídeo escolhê-lo em vez de outros. E só faz sentido fazer isso dentro de um projeto de filme, com prazo. Fazer “fazendo”.

Tudo isso deve soar abstrato agora para muitas pessoas. Mas o objetivo final, em palavras simples, torna-se o seguinte: se tudo der certo, o Blender se tornará uma alternativa real na escolha dos editores de video, não somente por ser software livre, mas porque será melhor, mais rápido e mais funcional.

Vão aí algumas notas mentais, que serão as metas para os próximos dois meses:

1. Gerar uma série de atalhos que desburocratizem coisas simples (python) e transformá-los em um plugin;
2. Precisamos de monitoramento dos níveis de áudio, o Blender precisa se comunicar com o Jack;
3. Precisamos de renders velozes, pelo menos para a edição em proxies.

Há algumas metas relacionadas à pos-produção, mas este é um outro post e, bom, outro projeto. Vamo que vamo!

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