FLORESTA VERMELHA

cinema digital com software livre em hardware aberto

Making of, logo menos

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Blender no nível do Final Cut e do Premiere? Fizemos o teste extremo.

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Dando uma olhada nos posts antigos, vejo que fazia um mês que não havia atualizações no blog do Floresta. Não é para menos. No último mês, conforme havia sido mencionado, eu e a Myho estivemos cumprindo uma agenda extrema de edição de vídeo, usando o Blender. Madrugadas a fio, poucas noites de sono, revezamento na ilha de edição e no sofá da sala, chá às 4h da manhã…

Para quem está chegando agora, a história é a seguinte: editamos o Floresta no Cinelerra, e fizemos a pós no Blender. Mas ficou aquela dúvida se este último seria capaz de se comportar como software principal de edição (o que pode ser revisto neste post). Desde janeiro, nos embrenhamos em um projeto novo, do qual sairiam um documentário e um making of, ambos de cerca de 10 minutos, e usamos esses dois vídeos como base de testes. E aí, o Blender é estável o suficiente? Ele aguenta o tranco? É confiável? Pode ser expansível?

Para responder a estas perguntas, o primeiro passo foi fazer um plugin (addon) que melhorasse as funcionalidades de montagem, o que pode ser visto aqui e aqui. Atualmente, ele conta com 40 novas funções/atalhos.

O objetivo agora é pegar todo esse conhecimento e usar no making of do Floresta, o qual a Myho já está começando a editar. Nosso desafio lá será fazer o que não tivemos tempo – mais do que montar, achar uma linguagem de edição que seja reconhecível como tal. É a parte que estamos devendo ainda.

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Os números podem soar altos, mas devem parecer comuns a montadores de documentários: estávamos lidando com mais de 1.300 vídeos, além de mais de 140 arquivos de áudio. Era comum jogarmos trechos de gravações na linha do tempo para revê-los depois – portanto, era frequente trabalharmos com uma timeline de cerca de 3 horas de duração, quando não várias cenas que incluíam trechos antigos.

Na imagem acima, é possível ver algumas alterações de interface que fizemos, como informações sobre o tamanho do vídeo e de timeline com fácil vizualização (no editor), informações sobre a resolução de render e FPS do projeto (no viewer), assim como inserir tudo o que se refere a manipulações de imagem/vídeos já ao lado de onde o filme é exibido, para ficar mais fácil de manipular tudo isso. A imagem acima também mostra o momento da finalização, ajustando as cores sem ter que entrar no compositor e nos nodes do programa.

Abaixo, há uma série quadros esquema “antes/depois” mostrando como ficaram as cores. Para este filme, escolhi tons com contraste um pouco maior (no Floresta, há pouco contraste), e o ajuste de cores ficou bastante facilitado por termos agora um monitor calibrado. As fotos estão intercaladas com trechos do relatório de montagem feito para o projeto, e que são relevantes para este post – dois trechos, alheios ao assunto, estão suprimidos.

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Relatório de montagem – Projeto Rios e Ruas – Trecho 1

Na proposta enviada para o edital Coletividea para o projeto/documentário “De viver nos rios, de viver nas ruas”, havia metas e objetivos específicos da equipe de montagem. Cabe aqui relembrá-los a avaliar os resultados relativos a cada um deles.

2. (…) opção por um edição 100% livre (com softwares livres, sob sistema operacional Linux), buscando ampliar a relação de visibilidade e força de outros paradigmas de edição profissional.

No que se refere puramente ao aspecto técnico de montagem de vídeo, editar usando o Blender (software livre) em Linux fluiu surpreendentemente bem. Obviamente, a aposta em dar uma chance ao Blender como editor profissional de vídeo se refletiu em um grande preparo da equipe de montagem – desde janeiro, início do projeto, uma série de novas funções foram desenvolvidas para desburocratizar processos existentes no programa, assim como melhorá-lo. O objetivo, sem meias palavras, era ajudar a colocá-lo lado a lado a ferramentas profissionais como o Final Cut e o Adobe Premiere.

Dada a agenda excruciante imposta aos montadores, pode-se dizer que o Blender, ajudado pelo nosso plugin ::velvet goldmine::, passou no teste com louvor, sendo capaz de fazer tanto a montagem como a finalização de cores do documentário e making of sem quaisquer sinais de instabilidade.

Existe uma cartilha de quem usa softwares livres de que os programas devem fechar várias vezes durante a produção, ou de que eles não devem funcionar de forma plena em seus objetivos – isso simplesmente não aconteceu. Não fosse o Blender ser uma ferramenta extremamente estável, sejamos francos, o filme simplesmente não haveria ficado pronto. A equipe de montagem estava preparada com um plano B para o caso de qualquer sinal amarelo ou vermelho vindo do programa – em dado momento, ficou claro que não haveria tempo para planos B ou C, assim como não havia margem de erro, por menor que fosse.

Merece ser enfatizado o seguinte ponto: tal agenda se deu por desorganização da equipe e independe de prazos fixados pelo edital, que estavam claros desde o início do projeto. Portanto, devemos simplificar e ver tudo isso apenas pelo lado bom: agora existe uma alternativa testada e aprovada em condições reais extremas de temperatura e pressão para edição profissional de vídeo em software livre (FOSS). Ela é confiável o suficiente para isso, o que é uma ótima notícia.

O mesmo não se pode dizer dos programas livres de edição de áudio. Embora a agenda tenha sido basicamente a mesma para os editores de áudio – excruciante, sem margem para erros, sem possibilidades de plano B -, eles não contavam com a mesma estabilidade apresentada pelo Blender. O Ardour – principal programa para áudio em Linux – se mostrou arredio e pouco confiável. Embora a opção por ele tenha se dado ao início do projeto, a descoberta de sua instabilidade se deu a poucos dias do processo de montagem, o que evidencia certa falta de atenção na equipe.

Para o documentário, a solução foi simplesmente trocar de programa. Tanto a sonora das entrevistas como musicalização e tratamento de som foram feitas no Logic Pro, um programa proprietário. Já para o making of, demos uma segunda chance ao Ardour e o resultado foi descobrirmos que diversas partes de falas estavam fora de sincronia na versão final – fazendo com que o áudio houvesse de ser levado para o Logic, para basicamente refazer o trabalho.

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Relatório de montagem – Projeto Rios e Ruas – Trecho 2

4. “Promover o acesso, o intercâmbio e a ampliação de documentação de tecnologias livres de produção digital para cinema (…) colocando essas documentações de modo aberto em plataforma (site) online;” (…) “Meta 3: Ampliar documentação para construção de cinema digital de qualidade profissional com ferramentas livres;”

Finalmente, a última meta/objetivo é o de tornar mais acessível o que desenvolvemos durante o projeto em termos de ferramentas livres.

O texto acima dá a entender que haverá uma farta documentação a ser feita ou publicada. Vamos seguir a lógica inversa, a de disponibilizar o que pode parecer pouca coisa – algumas centenas de linhas códigos – mas que é precisa, pontual. A publicação do plugin ::velvet goldmine::, um arquivo com poucos Kb de tamanho, resolve o problema da edição de vídeo no Blender muito mais do que centenas de páginas de publicações genéricas. Ela dá o salto que precisávamos em um workflow profissional de produção de vídeo.

Durante a edição do filme e making of, vimos que havia ainda alguns processos dentro do Blender que não pareciam bem resolvidos. Um cenário comum durante esses dias era o de que, enquanto a assistente trabalhava de dia, o montador principal aproveitava para desenvolver novas funções, para serem testadas por ambos já à noite. Algo como 7 novas funcionalidades surgiram dali.

Portanto, tanto o documentário como making of deste projeto compõem dois dos três filmes curtos que estão planejados para serem feitos usando o plugin em fase de testes – o terceiro vídeo curto, o making of de outro filme, já está gravado e pronto para editar.

Com isso, um prazo realista para a publicação do ::velvet goldmine:: é entre junho e julho de 2013. Ele será licenciado como GPL, a licença padrão de um software livre, e ficará disponível inicialmente neste endereço: https://github.com/szaszak (local onde o montador publica seus códigos; o github é um local comum de publicação de diversos códigos abertos).

A ideia de disponibilizá-lo “inicialmente” ali deve-se à noção de que o melhor lugar para ele é estar junto com os plugins oficiais do próprio Blender e, com o tempo, ser incorporado à própria distribuição do programa, vir dentro dele. Trata-se de um objetivo de prazo um pouco mais longo e que depende também do entendimento dos próprios desenvolvedores da Blender Foundation de o quanto ele é ou não relevante para todos os usuários. Ou seja, desenvolver o plugin é um primeiro passo; publicá-lo é um segundo. Há ainda um terceiro, que não é essencial, mas que facilitaria a vida de todo mundo, pois o colocaria a dois cliques de distância de qualquer usuário editor de vídeo.

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Floresta no Baixo Centro – as fotos (com muito atraso)

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Algumas fotinhos para registro, tiradas pela Laís e publicadas aqui com bastante atraso (veja post seguinte), sobre a exibição do Floresta no Baixo Centro. Claro, as fotos têm um apelo emocional, mas como era de se esperar, as trapalhadas continuaram!

O Baixo Centro mudou o lugar de exibição sem avisar a gente e escolheu uma parede toda furada e embaixo de um poste de luz amarela, no meio de dois palcos de banda. A parede não é a que se vê acima – na outra, nem dava para ver que havia um filme. Depois, faltou gasolina no gerador. Daí, o som só saía mono. E a Claudinha tropeçou no fio do projetor, mantendo a tradição. Finalmente, a caixa de som soltou o cabo no meio do filme.

Na verdade, o friozinho deixou a gente com um espírito leve. Deu pra levar tudo na esportiva e sair dando umas risadas, o que sempre vale a pena. =p Mas foi chatinho não ver o Flávio Kage e a Clarinha, que estavam sem o nosso contato e não conseguiram achar a gente no meio do minhocão. =/

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Sobre os seus olhos // Floresta Vermelha no Baixo Centro

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Algumas horas depois do último post, fiz um último render, copiei a versão final do filme para alguns lugares como backup e me preparei para tirar uns dez dias de férias. Desde então, a programação tem sido a de nos preparar para a montagem do De viver nos rios, de viver nas ruas, que começa amanhã e se estende até pelo menos o dia 25.

No próximo domingo, porém, tudo isso terá uma pausa. O Floresta será exibido às 20h no Minhocão, como parte da programação do Baixo Centro (o endereço está na imagem acima). Vou parar o que estiver fazendo e ir para lá ainda antes, para pegar o Freenet às 19h e a Voodoo Hop às 17h. Com sorte, pego o pôr-do-sol. Ou, também com sorte, chuva – mas aí vou de bike. Das últimas duas vezes, eu estava na função, não deu para curtir muito. Desta, vou sem nada, para fazer nada por estas quatro horas.

Até lá, mais um som viciante. Porque está tudo aí, nos seus olhos. Não precisa de mais. E, afinal, como diz o Baixo Centro, porque as ruas são para dançar.

Começando o Making of + nova integrante na equipe

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Houve poucas postagens nas últimas semanas, e isso porque estivemos bastante ocupados em rever as cores do filme, deixá-las com uma unidade legal, diminuir os erros como flares ou partes estouradas, deixar as letras nas camas azuis como as pedras. Visto de fora, pode parecer um trabalho trivial. Porém, se na parte de montagem fiz alguns posts me gabando da velocidade que conseguimos, o exato oposto aconteceu na pós. Como seremos, no fim das contas, julgados pelo resultado e não só pelo processo, pessoalmente não quis ceder neste ponto. Era uma questão de respeito com toda a equipe finalizar o Floresta direito.

Dependendo da cena, foi preciso fazer mais de nove máscaras para ajustar as cores e o contraste. Como a performance do compositor do Blender depende muito do jogo processador/placa de vídeo, cheguei até a compilar os drivers de CUDA para ver se as coisas iam mais rápido. Eu nem sabia o que era CUDA, mas descobri que minha placa tinha, então fui atrás. Bom, cheguei à conclusão de que, para fazer tratamento de cores nesse nível, realmente é preciso uma máquina muito violenta, ou uma fazenda de renderização. Guardemos essa percepção por agora, vamos trabalhar nela só daqui alguns meses.

Mas, enfim, é chegado o fim dos posts mais técnicos. Isso porque o filme está praticamente pronto, e as legendas também já estão feitas e sincronizadas. É hora de começar a trabalhar em outra frente, a do making of e das recompensas do pessoal que apoiou o filme pelo Catarse. E isso nos leva a apresentar a primeira nova integrante da equipe para esta etapa, já listada ali na área da direita do site.

Para entrar no Floresta, havia uma regra: “só entra se for para ajudar”. Por isso até a tiração de onda com o amor no post passado e neste aqui. Se não houvesse um objetivo claro, se não é pra ter amor no olhar, não fazia sentido. E sou particularmente orgulhoso do resultado dessa abordagem.

No caso do making of, desde as gravações, a equipe que havia pensado seria eu, Bárbara e Andressa. Isso por algumas ideias e valores, mencionadas aqui em nenhuma ordem particular. Primeiro, queria assumir o Blender como editor de vídeo, ver se ele aguentava a bronca. Também queria passar o conhecimento para frente, a duas pessoas que mais do que interessadas, possuem trabalhos pessoais interessantes e estão sempre no corre, ou seja, não seria um conhecimento perdido. Ambas tinham projetos sequenciais em mente, para os quais poderiam já tentar fazer em Blender. Finalmente, porque eu não posso editar o making of sozinho – estou muito dentro do processo todo para ser objetivo.

Mas a correria é muita, o mundo é vasto. Não foi possível juntar essa equipe. E, se temos de nos adaptar às situações, ainda assim me senti esses últimos meses bastante carente de alguém para assumir essa posição. E de alguém que fosse no nível dessas duas. Na verdade, se existe um único motivo para eu ter parado o Floresta para assumir o Blender e fazer os scripts de Python para melhorá-lo como editor de vídeo, esse motivo é permitir a pessoas como elas ter as ferramentas à mão. Não existe outro. Obrigado, meninas, pelo trabalho de vocês. Ele é inspirador.

Pois bem, finalmente achei a pessoa certa, e ela se chama Vanessa Myho. Ela esteve na oficina que demos no Centro Cultural da Espanha, em julho do ano passado, e havia me chamado a atenção por estar na frente e não haver falado nada, nem durante, nem na hora de ir embora. Como os caminhos se cruzam sem avisar, descobri que ela, nove meses depois, ainda estava interessada e pesquisava exatamente a documentação sobre edição de vídeo em linux. E também queria o conhecimento para executar algumas coisas com a qual está envolvida.

Mencionei há alguns posts que estamos fazendo outro projeto, e que a parte de montagem vai ser uma correria insana. Tudo está indo como previsto: vai ser uma correria insana. =p E a Myho vai me ajudar exatamente nessa parte. Mas o que ela tem a ver com o Floresta, então? Simples. O trabalho dela é claro: aprender. Ela está sendo deslocada para aprender, e aprender fazendo, montagem e pós-edição. Em parte, na fogueira, como no novo projeto; em parte com mais tempo e com bem mais profundidade no Floresta, fazendo o making of.

Seja bem vinda, Myho!

Floresta Vermelha // Baixo Centro // All the love

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O Floresta Vermelha apoia o Baixo Centro! Entramos com a proposta de exibir o filme projetado na fachada de um prédio, no Minhocão. Porque faz muito mais sentido até do que em uma sala de cinema. Porque quando São Paulo ruir inteira, só sobrará o Minhocão. E porque, afinal de contas, quem precisa de amor, né? Não ter nada é muito mais legal.

Temos notícias bacanas. Mas só amanhã. Hoje, ainda falta um pouco. Até lá, os links para o projeto do Baixo Centro no Catarse estão nas imagens – clique nelas para ver a campanha!

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Madrugadas, take 12

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Em que versão do render estamos mesmo? Acabei de achar esse frame, da Clarinha com sono depois de um monte de takes, e comecei da dar risada. Me identifiquei total! É, as madrugadas são assim! Mas sempre ouvindo uma musiquinha, neh.